8.2.2008 - Nº. 24 = QUE MARRETADA !...
 ------Hoje, dona Rafaela, logo que soube que minha denodada candidatura aos 130-milhões-deles tinha ido mais uma vez pela água abaixo, com o sonho de rastos, também eu vim dar uma espreitadelazinha à «Travessa do Desconcerto». Sequer veia me sobrava para arranjar assunto com que preenchesse o meu habitual diário desabafante.
------Eis que se me deparou o seu título «Os marretas» e de imediato cogitei com o meu fecho de correr: - Querem ver que a plácida Senhora enviou os marreteiros (e matreiros) do Fórum JN para o camarote da fama?!... Não, não se referiu a alguém. Limitou-se a imaginar a «Viela do Sobe e Desce» no «Lugarejo Global» sob o «pequeno Sistema Solar» que passa grande parte do tempo às escuras e nem pelo menos logra alguma luz entre o fogo fátuo que incessantemente produz.
------Oh... Dona Rafaela, «Os Marretas» foram um primor de divertidíssima cultura que ainda perduram agradavelmente na nossa memória. A Senhora é assaz benévola no paradigma que enfoca. «Os Marretas» eram dotados de humorosa ironia inteligente e sobretudo emanavam pedagogia social de apreciável quilate...
------Entretanto, fazendo votos para que a sua janela lhe tenha proporcionado um excelente catrapisco e o «OVNI no céu» se tenha revelado, como constata, tomei a sua tecla para superar o vazio que o euromilhões me instalou no raciocínio. Ah... Caramba, com 130 milhões, faria imediatamente uma conta de dividir por 50 anos a fim de gastar diariamente cerca de 7 mil euros e 5 milhões de imediato. Talvez optasse por ir viver na Ilha da Madeira para ajudar o doutor Alberto João a proclamar a independência... |
7.2.2008 - Nº.23 = EIS O HOMEM NU !...
------Tal como as coisas vão e deixam perceber a desvairada vertigem para onde derivam, o que é que hoje em dia poderá surpreender um cidadão que se coloque à tona dos acontecimentos? Se por um lado vão caindo os milenares véus espirituais e físicos que têm dominado a humanidade, por outro lado constata-se que a única forma de sustentar o dique do raciocínio colectivo está em conservá-los e usá-los quanto possível.
------Leio que um norte-americano de 34 anos, numa cidade do Estado do Illinois, conduzindo completamente nu o seu automóvel, estacionava serenamente onde se lhe deparasse uma senhora e ficava sem mais em contemplativa pose. Justin Flora tanto persistiu na fórmula até que um dia destes a polícia local deteve-o e conduziu-o ao juiz Marion Presley que naturalmente obrigou o nudista a vestir-se.
------Justin Flora, o polícia e Marion Presley... Eis o homem nu!...
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6.1.2008 - Nº.22 FORÇA, DR. ANTÓNIO, OFEREÇO-ME PARA FAZER DE FREI TUCK...
------... Mas, ó realidade, nem V.Sra. tem rosto próximo do de Robin dos Bosques, nem eu tenho corpo que me possibilite qualquer semelhança com o frei Tuck. Ao vê-lo, doutor, na pose da última página do JN de Domingo-Gordo - que ironia! - V.Sra. dá-me ideia de um Dom Quixote hodierno. Sugere-se-me pois indumentar-me de Sancho Pança, ainda que a problemática gordurosa se coloque e confronte historicamente com a ideia. Ocorre-me que em «Pança», a simples mudança do «a» pelo «i», dará integral plausibilidade à figuração. Vou de Sancho Pinça e vou tranquílo, sem receio algum de sujar as mãos.
------Vamos doutor, V.Sra. tem um Rociavante liberto de prestações e eu, para não ficar atrás mais de metro-e-meio, vou na mala. Vamos sob a inspiração da Lucideia e da fé que tenho em desfazer-me de todas as hipotéticas Teresas que hoje em dia sequer interessam ao Menino Jesus. Vamos?... Oh... Vamos para onde?... Os moínhos a vento passaram de moda e cada vez mais os pobres sonham em ser ricos. A cambada é incessante na ambição: um carro, uma casa, dois carros, duas casas, enfrente ela o mais bicudo dos casos.
------Sequer a solução óbvia já me preocupa, senhor doutor. O tempo de braço dado com a morte, em casamento mais do que perfeito, continuam felizmente a encarregar-se de fazer a limpeza que a inteligência só é capaz de sujar mais ainda.
------A sério, doutor António Barreto, felicito-o: «Se mandasse... Pegava no sistema fiscal e penalizava duramente os grandes rendimentos e vencimentos». Também eu, doutor. Inclusive, farte-me-ia de fazer testes de psicologia sociológica aos ricos e aos pobres até que lograsse meter-lhes pelos olhos dentro a grotesca insensibilidade colectiva que os domina. Quem é que hoje acredita que é preciso aprender a ser rico e a ser pobre com nobreza e tácito reconhecimento da ordem dos valores?!...
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